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Produtor Rural, é hora de ir as compras?

5 minutos para ler

Por Jonas Gibbon Costa

CEO na SCADIAgro | Agricultor | Contador

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Estamos vivendo um momento de euforia para o agronegócio, com a ajuda do câmbio, pandemia e do cenário internacional estamos comercializando nossa produção com preços nunca vistos anteriormente. Soja, Milho, Arroz e Gado estão remunerando o produtor com valores em alguns casos inimagináveis levando em conta as cotações dos últimos anos.

Não vou tentar fazer uma análise econômica deste momento, primeiro porque não tenho competência para isso, depois porque temos vários amigos e parceiros de extrema competência que já estão fazendo esta análise e nos trazendo informações e insights importantes.

Um destes amigos é o Economista Chefe do sistema FARSUL, Antônio da Luz, que em uma conversa recente disse uma frase que me fez ligar o sinal de alerta:

Em anos bons como este, vários produtores quebram, mas só ficam sabendo disso daqui 3, 4 ou 5 anos.

De imediato pensei, mas como pode um produtor quebrar no ano em que tem sua melhor renda, onde ele recebe por sua produção valores que nem imaginava?

Quebra porque normalmente é nestes anos que o produtor costuma “ir às compras”, como faz uma criança que quer um brinquedo novo, muitas vezes com a desculpa de que se não comprar vai ter que pagar muito imposto de renda ou de que está fazendo um “investimento”.

Comprar é fácil para quem tem dinheiro no bolso, mas não podemos dizer o mesmo quando falamos em investir.

A agricultura e a pecuária necessitam de grande imobilização de capital e como agricultor e pecuarista sei que sempre temos algo a comprar, uma máquina mais moderna, instalações maiores, tecnologias novas, terra, novas matrizes e reprodutores, uma fábrica de rações, enfim a lista vai ser enorme se eu continuar …

Porém todas estas compras podem ser guiadas pelo sentimento ou por uma boa análise de investimento.

Por sentimento vamos a uma feira agrícola e conversamos com diversos vendedores que nos mostram suas opções de máquinas e tecnologia, imaginamos o quanto temos para pagar de imposto de renda, verificamos se existe um financiamento disponível e compramos aquilo que mais nos chamou a atenção!

Mas afinal, isso que COMPRAMOS era no que deveríamos INVESTIR?

Muitas vezes não, e pior do que isso, estas decisões podem ser as que vão nos colocar naquele time que falamos lá no início: Os que irão quebrar este ano.

Para investir precisamos de uma análise de investimento, que para ser feita precisa de informações de qualidade sobre:

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  • Custos
  • Impostos
  • Endividamento
  • Rentabilidade
  • Produtividade
  • Estoques
  • Mercado

Precisamos de INFORMAÇÃO, pois sem ela não investimos, apenas compramos

Com estas informações em mãos, conseguiremos descobrir se precisamos realmente de uma nova máquina, e se precisamos, como ela deve ser para nos trazer algum ganho, como por exemplo: reduzir o custo operacional, reduzir o tempo de plantio, reduzir as perdas de colheita, melhorar a qualidade das aplicações de herbicidas. Enfim, diversas possibilidades que vão estar sempre alinhadas com o objetivo de melhorar a rentabilidade da nossa produção. Não adianta em nada plantar mais rápido, armazenar com mais qualidade, colher melhor e ao final de tudo isso observar que reduzimos nossa rentabilidade.

Precisamos lembrar que este investimento também pode ser na formação de uma reserva financeira para nos dar segurança e flexibilidade nas negociações de compra de insumos ou venda de produção.

E, de forma ainda mais importante, devemos investir em gestão! Melhorar a gestão financeira da nossa propriedade deve estar no topo da nossa lista de investimentos, pois só assim conseguiremos ter as informações de que precisamos no momento das decisões mais importantes.

A tênue linha entre a simples compra e o investimento depende de informação atualizada e de qualidade, principalmente financeira, pois todos sabem que não se investe para colher prejuízos.

Precisamos ter sempre em mente que a agricultura e pecuária são atividades de alto risco. Nunca temos certeza de que o que foi plantado, será colhido e nem mesmo que será remunerado com bons valores. Nossa única certeza é de que precisamos sempre buscar a melhor rentabilidade possível, baseada normalmente na redução de custos, que só acontece com boas decisões baseadas nos seus próprios números e não nos custos do vizinho ou no custo da média dos produtores de uma região, de uma associação, de uma cooperativa.

Então colega produtor, sei o quanto é difícil fugir à tentação das compras e também não quero acabar com alegria que temos quando chega uma nova aquisição na propriedade, mas deixo este alerta como minha contribuição para que este não seja o “ano em que você vai quebrar” e sim seja o ano em que você vai investir para ter mais rentabilidade e garantir a evolução e continuidade da sua propriedade.

Bons Investimentos e SUCESSO!!

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